Terça-feira, 3 de Maio de 2011

o ónus das medidas

Havia a dúvida de quem ficava com o ónus do anúncio das medidas. Como o Governo assumia esse risco e como comprometer os partidos da oposição.

A dúvida foi dissipada:

- anunciaram-se as não medidas

- o PSD reivindicou o mérito do acordo


A realidade não importa. O relevante é a gestão das expectativas. Dramatiza-se para depois se anunciar o que se evitou.

Duas conclusões: acho que só esta noite o PSD percebeu a armadilha em que caiu.
Por outro lado, nesta construção de simulacros, não estamos perante um pedido de ajuda ao FMI mas um plano Marshall.
Neste cenário fica apenas uma dúvida: com este discurso como se pode, depois das eleições, pedir mais sacrifícios aos portugueses se foi tão boa a negociação?

 

Pode ver aqui a declaração do primeiro-ministro

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publicado por rgomes às 22:49
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Quarta-feira, 6 de Abril de 2011

Help

O pedido de ajuda está em curso?

Foi assim com a Irlanda: fuga de informação para um jornal internacional especializado, negação por parte das autoridades nacionais e comunitárias, reunião dos ministros das finanças e depois o anuncio no domingo, quando os mercados estão fechados.

Até agora foram dados apenas os três primeiros passos: fuga de informação, negação das conversações e reunião do Ecofin na sexta-feira.

No caso português há ainda a juntar:

- "Mesmo em funções de gestão, o Governo continua firmemente empenhado em evitar o pior para a vida dos portugueses e tudo faz para minorar os efeitos da aventura em que as oposições colocaram o país. Se tiver que agir em matéria de financiamento externo, o Governo agirá patrioticamente como sempre em defesa do interesse nacional" Jorge Lacão no Parlamento;

- "Digo que situações excecionais exigem respostas excecionais. Se, porventura, em teoria, se colocar uma situação dessa natureza [recurso à ajuda externa], todos deveremos fazer um esforço de consenso nacional" Francisco Assis também na AR.

 

O único elemento que quebra a lógica desta narrativa é que, se o anuncio for feito no Domingo, é no dia de encerramento do Congresso do PS.
Só não será surpresa e "mata" o efeito do Congresso se até lá o PS alterar radicalmente o seu discurso: deixa de ter o FMI como "inimigo externo" e passa a culpa para o "inimigo interno", o PSD.
 

actualização:

Está a ser dada a viragem no discurso e a culpa é do PSD. O Congresso vai ser o ponto de viragem e o contexto para um forte ataque ao PSD com a dramatização sobre o chumbo do PEC.
Fernando Teixeira dos Santos: O país foi irresponsavelmente empurrado para uma situação muito difícil nos mercados financeiros. Perante esta difícil situação, que podia ter sido evitada, entendo que é necessário recorrer aos mecanismos de financiamento disponíveis no quadro europeu em termos adequados à actual situação política. Tal exigirá, também, o envolvimento e o comprometimento das principais forças e instituições políticas  - declaração ao J Negócios

Agora é que vai ser "malhar" no PSD.

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publicado por rgomes às 17:44
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Domingo, 20 de Março de 2011

Porquê: a sucessão de "equivocos"

A campanha vai ter uma história por explicar. O que não podem dizer e que se transforma em "equivocos".

A evolução:

- Sócrates foi ter com Merkl prometer novas medidas, Talvez para a cimeira de 24 de Março.

- A venda da dívida, no inicio de Março não correu bem. Teve de ser a banca portuguesa a socorrer o Estado e comprar quase 70%.

- Para evitar o perigo de fracassar, quando da emissão de nova divida, Sócrates antecipa as medidas. Quer ganhar tempo e confiança. Sócrates ignora o PSD. Até alguns ministros desconheciam. Souberam pelos jornais.

- Antes da cimeira o PSD está convencido que não vai haver acordo. Daí as palavras de Miguel Relvas que remete um comentário oficial do PSD para depois do encontro. O PSD ignora o que Sócrates negociou.

- A proposta do Governo é bem-recebida em Bruxelas e causa espanto em Portugal. O PSD percebe que não é através do FMI que Sócrates pode cair e que "deu o flanco" no relacionamento institucinal em Portugal. Por outro lado, se não arrepiar caminho, fica eternamente como a "muleta" do Governo, o partido à rasca, precário de Sócrates. Avança com o Não ao PEC IV. Agora ou nunca.

- Socrates percebe que vai haver eleições e que não pode concorrer com a promessa de congelar as pensões e reformas. O Governo faz marcha-atrás e A. Costa abre o caminho: o PEC IV não existe, ou seja, o congelamento das reformas. O ministro das Finanças enganou-se. O PM assina por baixo.

- Para o confirmar, reune-se o Conselho de Ministros extraordinário.

 

Quem tem a culpa das eleições? Uma sondagem publicada no Expresso no dia 4 de Março (uma semana antes) revelava que o eleitorado penalizaria quem provocasse eleições antecipadas. A expectativa era de que a moção de censura do BE fosse chumabada e "Além disso, a maioria dos inquiridos entende que o PSD não só deve chumbar a moção de censura, como deve ainda evitar provocar eleições antecipadas."

A quem for assacada a responsabilidade pode sair penalizado. É a este jogo que temos assistido.

publicado por rgomes às 22:41
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