Interesses cruzados
A comunicação social quer "espectáculo". Os partidos conhecem este requisito e montam os cenários para assegurar o espectáculo e a consequente presença nos media. No entanto, em todas as circunstâncias, tentam ser eles (partidos) a controlar o evoluir do evento. Um dia é a expectativa sobre o discurso de abertura, na manhã seguinte a chegada de um "irmão desavindo" ou o regresso de um antigo líder, o anúncio dos cargos que vão ocupar. O desfile das personalidades, as mensagens e o acesso aos vários intervenientes. O guião é para cumprir.
Em quase todas as organizações existe uma equipa que vai acompanhando o que os media transmitem para avaliarem se está tudo a correr de acordo com planeado.
Nesta parte os interesses dos media e dos partidos políticos sobrepoêm-se.
O problema é quando os media querem alterar o guião. Foi o que sucedeu no Congresso do PS. Após as primeiras intervenções de sábado, a mensagem começou a ser repetitiva, nenhuma novidade nem a perspectiva de que algo de diferente possa ocorrer. Os jornalistas procuram então perspectivas diferentes, os fait-divers, reacções a acontecimentos externos..... Quando nenhuma destas estratégias funciona começa a surgir uma conflitualidade de interesses.
Se no dia-a-dia os partidos procuram não perder o controlo da situação, muitos menos deixam escapar essa possibilidade num grande evento que marca o arranque da campanha eleitoral.
